quinta-feira, 29 de julho de 2021

Ciro Nogueira defende aliança de Bolsonaro com o Centrão

No primeiro dia de expediente como ministro da Casa Civil, Ciro afirma que Bolsonaro não pode ser chamado de "golpista"

Foto: Reprodução/Twitter

No primeiro dia de expediente como ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI) foi às redes sociais, nesta quinta-feira (29/7), para rebater as críticas à aproximação do presidente Jair Bolsonaro com o Centrão. Um dos líderes desse grupo político, que assume cada vez mais o controle do governo, o ministro disse que o mandatário não pode ser chamado de "golpista", porque, segundo ele, tem optado pela composição política.

"O gesto do presidente é na direção da dinâmica política, partidária e democrática. E ainda assim, como é normal, despencam críticas e chavões contra ele e seu governo pela aliança com o Centrão. Então, um dia ele é golpista. No dia em que não é, torna-se velha política", disse Ciro Nogueira, acrescentando: "Claro que há de tudo nisso, menos um mínimo de razoável equilíbrio nas análises. Ele não pode ser golpista e (fazer) velha política ao mesmo tempo. E essa contradição das críticas expõe mais os que o criticam do que o criticado".

O texto foi acompanhado da foto de um artigo intitulado "O presidente nunca pode estar certo?", publicado no jornal Folha de S.Paulo e de autoria do jornalista, consultor de comunicação e escritor Mário Rosa. Logo na abertura, o artigo, que faz referência à nomeação de Nogueira como ministro, diz que "Jair Bolsonaro não pode ser acusado de fascista, golpista e antidemocrata e, ao mesmo tempo, ao atrair um político experiente e presidente de um partido tradicional, receber a pecha de 'contraditório', 'velha política' e outros adjetivos que pipocaram por aí". 

A nomeação de Ciro Nogueira como membro do seleto grupo de ministros que despacham no Palácio do Planalto faz parte de uma minirreforma ministerial que tem o objetivo de melhorar a articulação com o Congresso, principalmente no Senado, onde as investigações da CPI da Covid têm trazido desgastes para o governo. As mudanças, que incluem a recriação do Ministério do Trabalho e Previdência, foram cercadas de críticas a uma suposta contradição de Bolsonaro, que, durante a campanha presidencial, prometeu acabar com o "toma lá dá cá" da "velha política". O presidente também chegou a dizer que o Centrão representa "a nata do que há de pior no Brasil". 

Bolsonaro passou a ser chamado de "golpista" por opositores em razão das várias ameaças que fez à realização das eleições de 2022, que não vão acontecer, segundo ele, se o Congresso não aprovar a PEC que institui o voto impresso. Essa proposta deve ser derrubada na comissão especial da Câmara, em votação marcada para o próximo dia 5. Dos 34 membros do colegiado, 20 são contra o voto impresso.

Fazer avançar essa PEC é uma das prioridades da gestão de Ciro Nogueira à frente da Casa Civil. Na relação com o Congresso, além de articular a votação de matérias de interesse do governo, o ministro também vai controlar a liberação de verbas de emendas parlamentares ao orçamento.

Primeiro dia de expediente

Nesta quinta-feira, o único compromisso de trabalho na agenda de Ciro Nogueira era receber, pela manhã, o presidente do Banco do Brasil, Fausto de Andrade Ribeiro. Ele foi indicado ao comando do BB pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), outro cacique do Centrão.

Depois da audiência com Ribeiro, Ciro Nogueira recebeu para um almoço, em seu gabinete na Casa Civil, a filha caçula, Duda Nogueira, e a deputada Iracema Portella (PP-PI). (Correio Braziliense)

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