terça-feira, 25 de maio de 2021

Em oitiva, empresários afirmam ter condições de prestar os serviços de transporte público, contanto que pagamentos sejam regularizados

Plenário da CMT Foto: Reprodução

Nesta terça-feira (25), o vereador Dudu, presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Transporte Público, deu continuidade às oitivas com os depoimentos dos empresários da Piauiense e Emtracol, empresas que compõem o Consórcio Poty. As empresas afirmam ter condições de honrar o contrato, contanto que os débitos sejam quitados e os pagamentos posteriores sejam regularizados.

O representante da Piauiense, Alberlan Euclides, afirmou que a empresa começou a operar com 42 ônibus e hoje apenas 10 veículos circulam. Segundo o empresário, a redução se deu em função da pandemia. “Nós demitimos apenas 19 trabalhadores, estamos com uma carga enorme na folha de pagamento e não podemos demitir porque a rescisão é muito cara. Para se ter noção, se eu vender a empresa e todos os carros, ainda não terei como pagar a rescisão. A situação ficou muito complicada com o surgimento da pandemia, o sistema está carente de um olhar atento do poder público e o pagamento às empresas é necessário não para lucro, mas sim para termos condições de continuar e melhorar o serviço para a população”, pontuou.

O empresário ainda afirmou que de 2015 a 2020 houveram acordos judiciais e extra judiciais e citou os valores pagos à empresa Piauiense. “Foram quatro acordos judiciais, com o pagamento dividido em parcelas. O primeiro foi no valor de R$1,5 milhão, dividido em 18 meses; o segundo foi de R$3 milhões, dividido em 36 meses; o terceiro foi de R$129 mil, pagos entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020; o quarto é de quase R$500 mil, cujo pagamento ainda está pendente. O acordo extra judicial foi de R$ 936 mil”, disse Alberlan.

Após o depoimento do responsável pela empresa Piauiense, foi a vez do representante da Emtracol, Herbert Campelo, ser ouvido. Ele afirma que a sua empresa recebeu, nos últimos cinco anos, um subsídio de cerca de R$9,7 milhões e relata as mesmas dificuldades citadas pelo primeiro depoente, mas garante ter condições de continuar prestando os serviços na capital se os pagamentos forem regularizados.

“Nunca recebemos em dias, sempre o valor é aquém da perícia judicial e os acordos sempre são com valor dividido. Viemos bancando esse sistema há anos e hoje estamos realmente com dificuldade. Com a pandemia isso foi agravado, não existe mais faturamento da empresa, tivemos que botar os carros para rodar sem passageiros e sem pagamento, estamos desde novembro do ano passado sem receber o valor mensal e sem receber o valor do acordo. Temos condições de honrar o contrato, contanto que passemos a receber os pagamentos em dias para que possamos pagar as contas da empresa e fazer investimentos”, afirmou o empresário.

Para o vereador Dudu, a sistemática da CPI tem sido eficaz ao ouvir cada empresário. “Todas as empresas trazem assuntos novos que darão robustez à esta CPI, mas hoje ficou claro que é preciso encontrar um mecanismo de repactuação do sistema para que ele funcione efetivamente. Tivemos nos depoimentos alegações descabidas para empresas que operam há seis anos, mas o fato é que estamos pedindo diversas informações das empresas e do poder público para que possamos fazer a ligação do que eles estão dizendo com os números que vão apresentar nos documentos. Dessa forma teremos um resultado mais eficaz. Estamos focados em encontrar um caminho para tentar resolver a questão do transporte público da nossa cidade. É esse o objetivo da CPI”, finalizou o presidente da CPI do Transporte Público. (Ascom/CMT)

 

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